VIAGEM MISSIONÁRIA A MOÇAMBIQUE – ÚLTIMA PARTE

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Leia, a seguir, a última parte do relato do Pr. Humberto Schimitt Vieira, Presidente do AME Heróis da Fé, a respeito da viagem missionária que ele, juntamente com sua esposa, irmã Ana, e uma comitiva composta pelos pastores Sílvio Machado, Ildo Manica, Hubert Gbenakou e Valdimir de Almeida, fizeram ao país de Moçambique neste mês de dezembro:

SEGUNDA ETAPA

A CHEGADA

No dia 12, começou a segunda etapa da viagem, com a chegada dos demais integrantes da equipe. Ao chegarem no hotel, um susto: o Pr. Hubert Gbenakou matou uma cobra venenosa que insistia em recepcioná-los.

Após descansarem no que restava da tarde e tentarem se adaptar à mudança de mais de 30 graus entre Lisboa e Tete, começou-se a segunda parte do Seminário na quarta-feira, dia 13 de dezembro, ministrando-se a revista Vida Cristã II.

Nesse dia, o Pr. Humberto e a irmã Ana completavam 28 anos de casamento, e a data foi comemorada com a comida típica de Tete: cozido de cabrito com n’shima (uma polenta de milho branco), comidas que formam uma combinação muito boa.

Para comer, a n’shima deve ser amassada com a mão, molhada no molho do cozido e levada à boca, tudo sem auxílio de talheres. Realmente é muito bom.

Considerando que a comida típica de Tete é o guisado de cabrito, os pastores do Brasil compraram três desses animais para oferecer aos participantes do seminário nesses dias.

OS OBREIROS

Além dos obreiros das províncias de Tete e Manica, chegou para a segunda etapa do Seminário mais um líder conhecido nacionalmente, da grande cidade de Beira, na Província de Sofala.

Impressionou-nos a fome por aprender demonstrada pelos participantes.

Quase todos vivem da agricultura, mas deixaram suas lavouras abandonadas por duas semanas para poderem aprender de Deus.

Aquele que demonstrava ser o líder mais influente de Manica recebeu a notícia da morte de seu irmão. Foi domingo enterrar o irmão e, contrariando a cultura – que lhe obrigaria a ficar sete dias juntamente com seus familiares – retornou para a segunda etapa do Seminário.

As acomodações em que ficaram, igualmente eram testemunho do amor desses obreiros por Deus. O melhor que o irmão Tutu conseguiu para acomodá-los foi uma peça de chão batido, sem portas nem janelas, mas apenas as aberturas. Ali dormiam os 20 irmãos, juntamente com o irmão Tutu, no chão puro.

A SEGUNDA PARTE DO SEMINÁRIO

O Seminário Vida Cristã II foi maravilhoso. Era impressionante ver a facilidade que todos tinham em reconhecer que teriam que mudar de vida ao serem confrontados com a Palavra de Deus. Não se justificavam e não resistiam. Apenas diziam: “temos que mudar”.

Impressionante também a sinceridade que tinham em confessar seus pecados e problemas.

Houve alguns momentos tensos, como aquele em que descobrimos que a maioria esmagadora era apenas “casada” no religioso ou simplesmente ajuntada.

Explicaram que assim agiam por duas razões: primeiro, por não saberem que a falta do casamento formal era algo espiritual e eticamente errado; segundo, por não terem dinheiro para fazer o casamento civil.

Explicamos as consequências espirituais desse estado. Prontamente, todos prometeram que iriam se casar, e ficou combinado que só iriam participar da Santa Ceia depois de regularizarem a situação conjugal. Eram como passarinhos famintos para comer o Pão da vida.

BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

Embora boa parte deles não soubesse o que era batismo com o Espírito Santo, nessa fase mais oito irmãos foram batizados com o Espírito, somando -se aos cinco que já haviam recebido a Promessa na primeira etapa do Seminário.

Era até engraçado ouvi-los dizendo que não sabiam o que estava acontecendo, pois estavam falando palavras que não conheciam.

O irmão Estefano Wazimini, líder da Congregação de Sabandar, onde congregam mais de 500 membros, também foi batizado com o Espírito Santo e com fogo, tendo testificado que jamais havia sentido o gozo que sentiu ao receber o fogo pentecostal.

O último a receber, irmão Raimundo, dono da casa onde os obreiros estavam alojados, foi batizado quando recebeu a imposição de mãos para a cura divina, no encerramento do seminário.

A RESPOSTA PARA O QUE ESTÁ ACONTECENDO EM MOÇAMBIQUE

Impressionava-nos a facilidade com que os irmãos aceitavam a Palavra de Deus, mesmo quando ela contrariava radicalmente seus costumes. Fazíamos comparações com crentes de outras nações, que têm tanta dificuldade de negarem-se a si mesmos e aceitarem a sã doutrina quanto ela ataca suas concupiscências.

Porém, chegou o momento em que o mistério se desvaneceu.

Quando o Pr. Silvio foi ministrar as duas lições sobre o jejum bíblico, o tempo já não era mais suficiente para uma explanação regular.

Resolveu-se, então, que o Pr. Silvio explanaria um resumo, abordando apenas aspectos desconhecidos pelos alunos.

O Pr. Sílvio iniciou perguntando quem jejuava. Todos levantaram as mãos.

Perguntou, em seguida, como era o jejum deles.

Um a um, foram se levantando e explicando que o jejum deles era reunir-se com toda a igreja e ficar pelo menos 24 horas sem comer e beber, orando a Deus. Acrescentaram que normalmente subiam a um monte, para que as pessoas não fossem tentadas a voltar para casa, e ali ficavam com toda a igreja, inclusive crianças, de um a dois dias. Detalharam que, quando iam só homens, aí o tempo era maior.

Para saber se eles conheciam alguma coisa sobre o jejum do Senhor (em que, à semelhança de Jesus, se entra em jejum e nele se permanece até se obter a resposta de Deus), o Pr. Silvio perguntou se eles fixavam, previamente, o início e o fim do jejum. Os obreiros da província de Manica disseram que sim, normalmente, quando somente entre homens, fixavam de dois a três dias. Já os de Tete informaram que, quando entre os homens, só sabiam que o mínimo do jejum era três dias, sem comer e sem beber, no cimo do monte, orando a Deus. Porém, sabiam somente o mínimo. Depois de cumpridos os três dias, poderiam permanecer seis, ou dez, ou ainda quinze dias, enfim, até sentirem o amém de Deus.

Foi perguntado aos obreiros de Tete qual a frequência que faziam essa jornada mínima de três dias de oração e jejum. A resposta foi “semana sim, semana não”.

Os pastores Silvio e Humberto olhavam um para o outro, atônitos. O Pr. Humberto, então, perguntou: “mas quem vos ensinou isso”? A resposta foi: “Ninguém. A gente leu na Bíblia que quando o povo de Deus enfrentava problemas ia jejuar. E como nós enfrentamos muitos problemas, como demônios, pestes, mortandade, doenças e outros problemas, a gente jejua. E Deus dá vitória”.

Estava respondida a nossa pergunta. Aquele povo não tem escolas teológicas, não tem revistas da Escola Dominical, não tem qualquer outro livro cristão na sua língua, a não ser a Bíblia. Eles não conhecem sobre “lei e graça”, nem entendem a diferença entre o Velho e o Novo Testamento. Contudo, eles estão orando e jejuando. E para quem ora e jejua, Deus usa um meio de se revelar. E quando Deus se revela, o Espírito testifica para a pessoa que aquela é a Palavra de Deus.

Muitas pessoas, no Brasil, e em outros lugares em que as igrejas se corromperam, justificam suas atitudes mundanas dizendo que “Deus não revelou a doutrina”. Ora, como o Espírito Santo vai se revelar para gente soberba, mundana, que só quer Deus como um amuleto, como um ídolo qualquer que atenda seus caprichos?

Porém, milhares de pessoas, de duas etnias no interior de um país africano, clamaram e receberam a revelação de Deus. Tudo se fez claro para eles. Era isso o que falavam. E, mais do que isso, foram cheios do genuíno fogo pentecostal.

ORDENAÇÃO DO IRMÃO TUTU

O irmão Tutu Franque Camanga foi apresentado pelo Pr. Humberto para ser o líder do Ministério Restauração entre eles. Um a um, os demais líderes se levantaram para testificar sobre o bom testemunho dado pelo servo do Senhor.

Assim, na noite do dia 14, o irmão Tutu foi ordenado ao presbitério, recebendo a imposição de mãos da parte do Pr. Hubert e dos demais pastores.

PEDIDOS DE ADESÃO

Como fruto do Seminário, solicitaram adesão ao Ministério Restauração 19 igrejas de Tete e de Malawi, um país ao Norte de Moçambique que faz divisa com Tete.

Ainda solicitaram a adesão as lideranças de mais trinta e uma igrejas da Província de Manica.

Também solicitou adesão uma liderança pentecostal de Sofala, bem conhecida em diversas províncias da Nação.

A soma dos pedidos de adesão encontra-se na casa de entre três a quatro mil novos membros.

Pastores do Brasil e participantes do Seminário de Obreiros
Pastores do Brasil e participantes do Seminário de Obreiros

UM GRANDE DESAFIO

Tornar todas essas igrejas um só corpo, obedecendo a Jesus e esperando a Sua vinda é um gigantesco desafio que se nos apresenta.

O ÚLTIMO CULTO

No domingo pela manhã, participamos do último culto, desta feita no bairro Samora Machel, que se assemelha a uma favela brasileira.

Ficamos um tanto perplexos com a forma que boa parte dos crentes procurava adorar a Deus, dançando ritmos tradicionais com todas as forças que tinham.

Pregamos, então, sobre o encontro de Jesus com a mulher samaritana.

Mostramos, pela Palavra, que Jesus declarou à mulher que um novo tipo de adoração viera a ser implantada por Jesus, diferente do que ocorria no Antigo Testamento, em que a adoração girava em torno do corpo. No Novo Testamento, ao contrário, Deus busca verdadeiros adoradores que O adorem em espírito e em verdade.

Ao serem perguntados se queriam experimentar adorar a Deus com esse novo tipo de adoração, todos se colocaram de pé.

Imediatamente, a glória de Deus caiu sobre a igreja. Duas mulheres endemoninhadas foram libertas. Quase todos choravam na presença de Deus, e quatro irmãos foram batizados com o Espírito Santo, numa igreja em que havia apenas uma irmã que havia recebido a experiência pentecostal.

A PARTIDA

A despedida foi emocionante. Não dava vontade de deixar aqueles irmãos que, como pintainhos que esperam a comida que seus pais trazem ao ninho, olhavam com olhar filial “os irmãos que vieram do Brasil”.

Mas a empreitada não terminou. Há muito a fazer até que Cristo seja gerado naquela multidão. Estejamos prontos para, com alegria, sofrer as dores de parto.

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