SAIBA MAIS SOBRE A GUERRA EM REPÚBLICA DA GUINÉ

Trazemos a você informações sobre a guerra em República da Guiné, país da África Ocidental, na janela 10/40, onde a Associação Missionária e Evangelística Heróis da Fé, em parceria com diversas igrejas, mantém 22 missionários.
Primeiramente, leia o pedido de oração do missionário René Guilavogui, que é coordenador dos missionários Heróis da Fé em Republica da Guiné:

“Paz do Senhor Jesus a todos os irmãos do Brasil.
Queremos pedir vossas orações, urgentemente, em favor do país de República da Guiné, pois no final de setembro iniciou-se uma revolta da população contra o atual presidente, o qual é militar, e contra o militarismo. A população, juntamente com os sindicatos, declarou uma greve nacional. Nos primeiros dias, 80 pessoas foram mortas e muitas ficaram feridas nos confrontos com os militares. A situação no país é desoladora. Todos os bancos, lojas, armazéns e escolas estão com as portas fechadas. Nada está funcionando. Até mesmo os candidatos à Presidência, os quais são civis, foram atacados pelos militares, e alguns estão feridos.
Pedimos a todos vocês que nos ajudem em oração. E agradecemos àqueles que já têm nos ajudado.”

Missionários René e Vanessa Guilavogui

A seguir estão algumas informações sobre o conflito extraídas do site de notícias da BBC (www.bbc.com.uk) em 28/09/2009 e 29/09/2009:

FORÇAS DE SEGURANÇA MATAM 157 EM PROTESTO NA GUINÉ, DIZ ONG

Pelo menos 157 pessoas teriam sido mortas no dia 28 de setembro em Conacri, capital da Guiné, na África Ocidental, quando soldados do país dispararam contra manifestantes de oposição, segundo uma ONG do país.
Estima-se que cerca de 50 mil pessoas tenham participado da manifestação em Conacri, convocada para protestar contra possíveis planos do atual líder do país, Moussa Dadis Camara, de concorrer nas eleições presidenciais do ano que vem, rompendo assim uma promessa de não ser candidato. Um médico que trabalha em um hospital da capital disse à BBC que 58 pessoas mortas foram levadas para o local, que estaria se parecendo a um “abatedouro”. Não foi possível confirmar a informação de forma independente, e o governo guineano não se pronunciou publicamente sobre a violência.
Organização Guineana para Defesa dos Direitos Humanos afirmou no dia 28 de setembro que, além dos 157 mortos, mais de 1,2 mil pessoas teriam ficado feridas, mas estas informações ainda não foram corroboradas. As autoridades da Guiné só admitiram, até agora, as mortes de 57 pessoas. O correspondente da BBC em Conacri Alhassan Sillah disse que, em entrevistas a emissoras locais de rádio, o líder da junta militar que governa Guiné, capitão Moussa Dadis Camara, disse que as forças de segurança foram provocadas e que era difícil controlá-las quando há tensão no país. O líder militar da Guiné afirmou que esses “soldados incontroláveis” eram os responsáveis pela violência. A manifestação foi convocada na segunda-feira devido a boatos de que Camara, que assumiu o poder após a morte do presidente Lansana Conté, em dezembro, pretenderia concorrer à Presidência nas próximas eleições, em janeiro.
Golpe
O capitão Dadis Camara tomou o poder na Guiné no ano passado depois da morte do presidente Lansana Conté. No início, o golpe gozou de apoio popular, mas nas últimas semanas o país foi palco de inúmeros protestos contra o regime militar. O protesto desta segunda-feira ocorreu nas imediações do maior estádio da capital guineana apesar de as autoridades terem proibido previamente a manifestação. Nos choques que se seguiram, testemunhas disseram que a polícia disparou contra a multidão. Há relatos de que dois líderes da oposição teriam sido presos durante o conflito. O correspondente da BBC em Conacri Alhassan Sillah disse que há diversos carros queimados nas ruas e que o clima no local é “estranho e temeroso”.
Perpetuação
O especialista em Guiné Gilles Yabi disse à BBC que o protesto não foi uma surpresa.“Esse é apenas o começo das manifestações que podemos esperar nos próximos meses”, disse. Segundo ele, caso Dadis Camara se candidate à Presidência, seria uma violação do acordo tácito entre as forças militares e civis que o mantém no poder. Além disso, o especialista afirmou que a candidatura seria a perpetuação do cenário que Guiné tem vivido na última década e que os militares prometeram encerrar. O governo do capitão Câmara tem sido caracterizado por demonstrações excêntricas de poder. Além disso, ex- assessores e autoridades foram acusadas de corrupção e envolvimento no tráfico de drogas, entre eles o filho do ex-presidente Lansana Conte.
Estupros
Segundo o líder oposicionista Sydia Toure, os soldados abriram fogo contra uma manifestação que contava com cerca de 50 mil participantes. Grupos de defesa dos direitos humanos dizem ter informações de que os soldados estupraram mulheres em plena rua e atacaram manifestantes com golpes de baioneta. "Vi os Boinas Vermelhas (unidade militar de elite do país) pegar algumas mulheres que tentavam fugir, rasgar suas roupas e colocar as mãos em suas partes íntimas”, disse uma testemunha à organização Human Rights Watch. “Outros batiam nas mulheres, incluindo seus órgãos genitais. Deu pena, as mulheres gritavam." Outra testemunha disse à organização que viu "várias mulheres sem roupas sendo colocadas em caminhões militares e levadas embora. Não sei o que aconteceu com elas".

ONU

As mortes na Guiné foram condenadas por várias organizações internacionais, como a União Africana e a ONU, e por governos de outros países. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que as autoridades da Guiné ajam com o máximo de moderação. Há informações de que o bloco regional Ecowas (Comunidade Econômica dos Estados do Oeste Africano, na sigla em inglês) e a União Africana estão estudando a aplicação de sanções contra o regime militar. A Guiné, um dos principais exportadores de bauxita do mundo, mas cuja população vive em sua maioria com menos de US$ 1 por dia, foi governada com mão de ferro por Lansana Conté por 24 anos. Logo após a morte de Conté, em dezembro de 2008, uma junta militar liderada pelo então desconhecido capitão Moussa Dadis Camara tomou o poder. Soldados e tanques foram enviados para as ruas do país, para estabelecer bloqueios. Não houve violência na ocasião. A junta prometeu realizar eleições livres depois de um período de transição de dois anos, no final de 2010. De acordo com Caspar Leighton, correspondente da BBC em Acra, capital de Gana, depois da manifestação de segunda-feira, os soldados estão patrulhando as ruas de Conacri e a maioria das pessoas permanece em casa. O correspondente afirma ainda que os soldados que dispararam contra os manifestantes foram identificados como integrantes da guarda presidencial.